A Polícia Federal (PF) identificou indícios de pelo menos seis encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorridos entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Os registros constam em um relatório policial elaborado a partir da análise de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF.
As conversas analisadas revelam reuniões em diferentes ocasiões e locais, incluindo a residência do banqueiro. Em alguns momentos, Vorcaro relatava aos interlocutores que estava acompanhado de Moraes, enquanto em outros havia mensagens de funcionários anunciando a chegada do ministro e tratativas para a marcação dos compromissos.
O ex-deputado e ex-ministro das Comunicações Fábio Faria aparece nas mensagens intermediando os contatos entre o banqueiro e o magistrado. Em novembro de 2024, Faria afirmou a Vorcaro que iria remarcar um compromisso com “Alex”, pediu o endereço residencial do banqueiro para encaminhá-lo e repassou uma mensagem atribuída a “Alexandre” que propunha um encontro às 19h30. Após essas negociações, no dia 15 de novembro, Vorcaro disse à filha, Stella, que estava com Alexandre Moraes, marcando o primeiro registro de encontro mapeado pela PF.
Entre os episódios investigados, um dos destaques ocorreu em 19 de março de 2025. Naquela noite, um funcionário de Vorcaro em Brasília avisou sobre a chegada do ministro às 20h23. Na mesma noite, o banqueiro disse à namorada Martha Graeff e a um diretor do Banco Central que estava com Moraes. Mensagens posteriores da madrugada do dia seguinte indicam que outras pessoas chegaram para falar com Alexandre, sugerindo que o encontro se estendeu por mais de quatro horas, até pelo menos 0h32.
O relatório também aponta um possível sétimo encontro em 26 de maio de 2025, ocasião em que Vorcaro comentou com Martha Graeff que se encontraria com “alexandre” e organizava um jantar envolvendo as mulheres de Fábio Faria e do próprio ministro. A Polícia Federal, no entanto, ressaltou que esse trecho específico não apresenta elementos suficientes para confirmar a efetiva realização dessa reunião.

