O governo federal apresentou ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para 2027, detalhando as expectativas de receitas e despesas para o período. O projeto estima que o salário mínimo chegue a R$ 1.741, impulsionado por uma alta superior a 7% calculada com base na inflação e no crescimento econômico. Paralelamente, o texto reserva mais de R$ 44 bilhões para as emendas parlamentares impositivas, superando em R$ 4 bilhões o valor destinado no ano anterior.
A peça orçamentária também evidencia uma forte pressão dos gastos obrigatórios, que passam a consumir cerca de 92% das despesas primárias e comprimem o espaço para investimentos do governo. As despesas com a Previdência Social devem ultrapassar R$ 1,160 trilhão, representando um acréscimo de R$ 87 bilhões em relação a 2026, ao passo que os pagamentos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) alcançarão R$ 145 bilhões. Diante da crise financeira enfrentada pelos Correios, que registraram um prejuízo de R$ 5,6 bilhões somente no primeiro semestre, a equipe econômica incluiu um aporte de R$ 6 bilhões no caixa da estatal. Por fim, embora o governo tenha estabelecido uma meta fiscal de superávit de 0,5% do PIB — o equivalente a cerca de R$ 73 bilhões —, o resultado efetivo projetado é de R$ 18,6 bilhões, com analistas econômicos alertando para riscos fiscais decorrentes do avanço das despesas obrigatórias em um cenário de juros restritivos.

