O setor de TV por assinatura no Brasil continua enfrentando um cenário de forte retração. De acordo com dados recentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), compilados pela consultoria Teleco, o país registrou a perda de mais de 1,1 milhão de clientes no período de 12 meses, aprofundando uma crise que já se arrasta há anos.
Os números mostram que, em junho de 2025, o mercado contabilizava cerca de 7,12 milhões de contratos ativos. No fechamento de junho de 2026, esse número despencou para 5.973.685. Isso representa um recuo de 16,2% no ano, correspondendo a uma perda de 1.153.824 acessos pagos. Somente no primeiro semestre de 2026, mais de 569 mil contas foram canceladas.
No cenário atual das operadoras, a Claro mantém a liderança isolada, registrando cerca de 2,77 milhões de assinantes no segundo trimestre de 2026. A Sky ocupa o segundo lugar com 1,95 milhão, seguida pela Vivo, com 720 mil clientes, e pela Mileto, que assumiu a base da Oi TV, com 264 mil contratos.
A debandada de usuários impactou todas as tecnologias de transmissão. A TV a cabo continua sendo o principal meio, correspondendo a 44,2% do mercado, com 2,64 milhões de acessos. A modalidade via satélite responde por 39,8%, somando 2,38 milhões, enquanto a fibra óptica detém 15,9% da fatia, reunindo 952 mil contratos. A fibra sofreu um impacto proporcionalmente menor, com retração de 9,5% em um ano, ao passo que o cabo e o satélite encolheram perto de 17%. Além disso, o método de contagem explica algumas variações, já que a Anatel inclui em suas métricas mais amplas aparelhos que recebem apenas canais abertos obrigatórios sem assinatura mensal, um contingente que representava cerca de 1,1 milhão de pontos no final de 2025.
A principal explicação para o esvaziamento da TV paga é a mudança estrutural no comportamento do consumidor. O público migra cada vez mais para serviços de streaming, aplicativos e pacotes de canais via internet oferecidos pelas próprias operadoras. É importante notar que essas plataformas 100% digitais não entram nas estatísticas oficiais do Serviço de Acesso Condicionado, métrica utilizada pela Anatel para medir a televisão paga convencional.
Para se ter dimensão do impacto dessa mudança de hábito, basta olhar o histórico recente: no fim de 2021, o Brasil contava com 13,46 milhões de assinantes de TV fechada. Com menos de 6 milhões de contratos registrados em junho de 2026, o setor perdeu mais da metade do seu tamanho em menos de cinco anos, impondo às empresas o desafio urgente de se adaptarem aos novos tempos.

