A jornalista Daniela Lima revelou os motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recusar o convite para a sabatina da GloboNews, apontando um desgaste prévio entre o chefe do Executivo e a direção de jornalismo da emissora. Segundo os bastidores detalhados pela analista, a gota d’água teria sido a exibição de um gráfico em formato de PowerPoint envolvendo figuras ligadas ao governo e ao próprio presidente em investigações, episódio classificado pelo Planalto como desproporcional e desrespeitoso.
Além da relação estremecida com o canal de notícias, a avaliação estratégica sobre a participação em debates eleitorais também pesa nas decisões das principais campanhas. Para os analistas, nem Lula nem o candidato Flávio Bolsonaro — que lideram as pesquisas com ampla vantagem — têm incentivo aritmético ou político para se expor a confrontos diretos contra concorrentes que aparecem dezenas de pontos atrás nas intenções de voto. No entendimento das equipes de campanha, a presença nesses palcos funcionaria como um holofote desnecessário para adversários menores, gerando um desgaste de repercussão prolongada sem retorno prático para os líderes.
O debate sobre as novas dinâmicas da comunicação política também aponta que a força das redes sociais, canais digitais e podcasts transformou o modelo tradicional de campanhas, onde os debates presenciais exerciam um papel absolutório no passado. Com a multiplicidade de canais e uma agenda presidencial intensa, os candidatos optam por selecionar minuciosamente onde e para quem falar. Especialistas lembram que a estratégia de resguardo por parte do candidato líder não é inédita na história política brasileira, traçando paralelos com campanhas de reeleição anteriores em que os favoritos optaram por ausências nos embates iniciais, deixando um confronto direto provável apenas para o segundo turno ou para as etapas finais do pleito.

