EX-CHEFE DA FAB DIZ QUE BOLSONARO PRESSIONOU MILITARES APÓS DERROTA ELEITORAL

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O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, relata em seu novo livro, Eu disse não – Uma trincheira antigolpista, que enfrentou pressões significativas durante o final do governo de Jair Bolsonaro. Segundo o militar, o objetivo dessas investidas era obter o apoio das Forças Armadas para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.

Na obra, que tem lançamento previsto para setembro pela editora Autêntica, Baptista Junior detalha reuniões realizadas após o segundo turno e afirma ter sentido um risco real de ruptura institucional. Ele destaca que os comandantes das três Forças foram alvo dessas pressões e admite ter temido, à época, que setores do Exército pudessem adotar posturas contrárias ao posicionamento legalista então defendido pelo general Freire Gomes, comandante da Força naquela ocasião.

O ex-comandante cita um momento de tensão em que Jair Bolsonaro teria lhe dito: “BJ, eu já te dei dois cartões amarelos”. Apesar da pressão, Baptista Junior reforça que os chefes militares não aderiram a uma tentativa de ruptura. Ele também explicou a permanência dos manifestantes em frente aos quartéis, justificando que a retirada forçada poderia ter gerado confrontos e mortes, e garantiu que a atuação militar buscou seguir estritamente os limites da legalidade.

Baptista Junior, que comandou a FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, afirma que não estavam presentes os requisitos legais necessários para medidas de exceção, como estado de defesa ou de sítio. Embora revele ter votado em Bolsonaro nos dois pleitos anteriores, o militar reitera seu compromisso com a ordem democrática e critica a insistência de figuras políticas em questionar a lisura do processo eleitoral de 2022. Para ele, as Forças Armadas não devem atuar como protagonistas na política nacional, sendo fundamental o respeito às instituições e aos preceitos democráticos.

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