Os Estados Unidos anunciaram uma nova sobretaxa de 12,5% sobre os produtos brasileiros sob a alegação de que o país falha em fiscalizar e proibir a importação de bens fabricados com trabalho forçado. A medida faz parte de uma ação global baseada na Lei de Comércio americana que atingiu outros 59 países e blocos comerciais. Diferente de sanções anteriores que previam exceções bilaterais, essa nova tarifa foi aplicada de forma linear sobre o Brasil e substituirá uma taxa adicional temporária de 10% que expirava no mesmo dia.
Essa nova alíquota soma-se à tarifa de 25% anunciada recentemente por práticas desleais, acumulando um impacto de 37,5 pontos percentuais sobre as exportações nacionais. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a medida afeta mais de 4,1 mil produtos e coloca em risco cerca de US$ 14,9 bilhões em vendas anuais para o mercado norte-americano, atingindo principalmente bens intermediários e insumos industriais. O país já lida com outras barreiras na fronteira americana, como cotas rígidas e sobretaxas elevadas para setores como aço, açúcar e carne bovina.
O governo americano justificou a decisão afirmando que a tolerância de parceiros comerciais com o trabalho forçado gera uma concorrência desleal para os trabalhadores dos EUA. No relatório oficial, as autoridades americanas citaram suspeitas de irregularidades na pecuária brasileira e demonstraram incômodo com o expressivo avanço das vendas de carne bovina do Brasil para a China. Em resposta, o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores criticaram a decisão, argumentando que a sanção desrespeita as normas da Organização Mundial do Comércio e prejudica os avanços do próprio sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo.

